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domingo, 26 de junho de 2011

Carta

Foi tudo tão rápido
que só agora senti a ausência da tua partida.
Quem amo escapa-me entre os dedos
e fico a amar de longe.
E outros há que ficam a magoar-me de longe.
E eu presa nas recordações que me amarram,
presa nos medos que me asfixiam.
Embrulhada na tristeza que me consome e luta,
diariamente, contra a pouca alegria que me mastiga,
que me tenta acordar... diariamente.


Longas são as tempestades que me acompanham
e menos longa a bonança que não chega
e não me abraça.
Longas e fortes as dores,
tristes as lágrimas que me embaraçam...

Beijos com amor...

Mónica Figueiras figueiras_monica@hotmail.com 

Consumir

Bem quisera eu não sofrer
deste mal que me conserva.
Fosse outra a dor que me consome,
da cabeça aos pés,
que me enxuvalha o peito,
que me maltrata a alma.
Fosse outra a dor que me consome.
Ai como queria não sentir, não pensar.
Ai como queria poder escolher.
Estar assim ressequida,
queimada  por dentro.
Esquecida de mim e de tudo.
Perdida no tempo, na mágoa,
no escuro que me consome,
na luz que me não guia.


Fosse eu outra, sendo sempre a mesma.
E porquê sentir, se isto aos poucos me mata?
E para quê calar-me se parece não existir em mim palavras,
que me expliquem o tempo,
que me ditem os medos,
que me iluminem os passos.
Encontro-me e perco-me
e desejo e anseio e espero,
que deixe de ser esta a dor que me consome.

Dentro e Fora (Amar)

Tenho dentro lágrimas de sangue,
Tenho fora lágrimas comuns.
Guardo dentro um grito cortado.
Guardo fora um grito silencioso.
Rasgo-me por dentro, em pedaços
E nesses pedaços, caminho por fora,
Com a segurança que tu me dás,
De dentro para fora.
Reconstruo cada pedaço, dentro,
Como um puzzle onde as peças se unem
Através de formas e cores.
E fora, aparentemente reconstruída, caminho.
Amar: por dentro e por fora
Pois o que está dentro reflecte, como um espelho,
O que te mostro fora.
E o que dentro chora,
Por fora sorri.
E o que dentro grita,
Fala-te, suavemente, por fora.
E o que dentro brilha,
Por fora é tão resplandecente como um raio de sol.

Amar…
E não fosse esse sentimento,
Tão grande, percorrendo por dentro,
As veias, o sangue… tudo…
Não gritaria em sorrisos por fora.
E se rio, choro, grito…
Cada um desses estados de ânimo
Nasceu por amar…
E se reflecte em mim!


Mónica Figueiras figueiras_monica@hotmail.com

Incolor…

As  palavras arrumo na gaveta, vazio
Está o espaço circundante da emoção
As rajadas assolaram pareciam furacão
Por fim o silencio acompanhado pelo frio
Nem o cobertor mais quente traz consolação
Os ossos fendem contorce-se a mão
Por entre os dedos não escorre nada, corrupio
Numa surdez bizantina, já nada me dá aflição  
A gaveta tem o simbolismo de um alçapão
Enterrarei nele a minha e a tua emoção
Porque me perco num tempo que não tenho
Porque ensaio danças que não sei
Eu sei, um dia quando as manhãs eram bonitas sonhei



Com palavras bonitas, todas as inventei
Numa invenção castrada, mas que caso sério
Foi este tempo que se foi agora sei
De um tempo em que palavras na tua boca desenhei
E agora que as arrumo na gaveta, pensei
Serei recta ao pensar sem lei
Que o tempo não se comanda mesmo quando dele desdenho
É ele que assume o fim quer queira quer não, é férreo
O tempo meu amor não entra em contradição
A sua frieza subtil agora sei é incolor e escorre-me da mão.


Antónia Ruivo antonia_ruivo@hotmail.com