Bem quisera eu não sofrer
deste mal que me conserva.
Fosse outra a dor que me consome,
da cabeça aos pés,
que me enxuvalha o peito,
que me maltrata a alma.
Fosse outra a dor que me consome.
Ai como queria não sentir, não pensar.
Ai como queria poder escolher.
Estar assim ressequida,
queimada por dentro.
Esquecida de mim e de tudo.
Perdida no tempo, na mágoa,
no escuro que me consome,
Fosse eu outra, sendo sempre a mesma.
E porquê sentir, se isto aos poucos me mata?
E para quê calar-me se parece não existir em mim palavras,
que me expliquem o tempo,
que me ditem os medos,
que me iluminem os passos.
Encontro-me e perco-me
e desejo e anseio e espero,
que deixe de ser esta a dor que me consome.
Mónica Figueiras figueiras_monica@hotmail.com