Abriste a gaveta… As tuas obras inacabadas ainda lá estão e dizem do passado que já não intimida; das coisas e dos outros, de desordens e cedências, de amores e ódios e choros, de avanços e recuos que marcam o suave declive rugoso das horas... E tu estiveste nas tuas palavras como ora estás para as ler ou para as ouvir daquele que as reconheceu em cortinas de emoções ou que quer fazer jus à sua música. Traz ou despreza o disfarce, mas vem ler connosco!
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sexta-feira, 25 de março de 2011
O livro da verdade
E agora daqui vamos aos Bilharins que está lá um palheiro da minha idade, tem piada eu ser da idade de um palheiro, eu vou explicar bem para que tudo fique sabendo. O Barahona velho comprou uma manada de burras, eram vinte e quatro para completar doze parelhas para lavrarem lá na herdade dos Bilharins, e mandou fazer uma arramada para a vivenda das ditas burras no monte da Aldeia de Cima, outra arramada na Azeiteira, outra arramada para a classe burrical, eram burras ricas, quem era moural um José Pancadas da Vera Cruz, ele tinha dois filhos, um José Pancadas, outro Ana Pancadas , calculem bem a vida das burras, falta de pancadas não tinham elas, a mulher do moural era Ana Poupa, uma bela geração. Agora vamos conferir a minha idade com o palheiro, foi simples, é que o meu pai andava fazendo o palheiro , as paredes eram de taipa e o meu pai pedreiro alvanel e fazia taipa e andava lá fazendo paredes, eu tinha um irmão com mais treze anos, o meu pai em fazendo taipa em tempo de chuva dormia lá no trabalho para quando chovesse tapar as paredes e o meu irmão vinha a casa na quarta-feira para levar mantimento para o resto da semana. Nasceu este objecto naquela noite de vinte e sete de Março às três da madrugada, ele no outro dia chegou lá e disse, Pai olhe, já lá temos mais outra lesma. É pelo motivo que eu digo quando me procuram a idade quando não me lembro de repente digo, Olha, sou da idade do palheiro dos Bilharins, e pronto.
José Inácio Horta moital@gmail.com
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