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terça-feira, 13 de março de 2012

Às oliveiras

Olá oliveira fazendeira
Que vives paciente
Pelos campos fora
Ao frio ou calor ardente!

Foste plantada por alguém
Que já nem sabes quem é
Pois ao longo dos tempos
Já conheceste tanta gente
E como uma mulher
És forte e resistente!

Se falasses como nós
Muito nos contarias!
Mas ao olhar para ti
Apenas posso imaginar e sonhar
O tanto que me dirias!

O que viste,
Quem conheceste,
O que foi o teu passado!?
Mas que importa se tu nada me dizes?
Apenas posso aproveitar estes momentos de prazer
De te ver e conhecer!....

Quem te deu vida?
Quem te tratou
E algum dia te aconchegou?
Quem por aí passou?
Quem te amou
E algum dia te chegou ao pé?

Diz-me oliveira
Quem foi?
E quem ainda é?
Diz-me o porquê
Que eu já nem sei,
Não compreendo
Como agora já não te amam
Como outrora foste amada
E cuidadosamente cortada,
Para chegares até aqui?...



E por nada
Te deitarem abaixo
Como quem passa uma borracha no passado,
Caído, apagado,
Como se nada importasse.....

Nada contasse....
Nada existisse simplesmente!....
E nada resta de tão nobre imagem
Para mostrar ao futuro quem foste!...

E um dia,
Nem se sabe que exististe,
Que aqui vieste,
Que por aqui passaste,
Como eu, como toda a gente!
Como um povo que suou e lutou
E dele já nada se sabe....
Nada se conta ou fala!.....

Que importa?
Apenas o dinheiro ou ganância
E uma grande ignorância!....

Obrigado oliveira por existires!
Obrigado por não te terem colhido
Antes de eu chegar!
Obrigado por tudo o que me dás,
A mim e ao mundo!

E, quem algum dia te cortar
E da terra te arrancar,
Será cobarde e criminoso
Que eu terei de condenar!

Porque a minha querida oliveira
Ninguém pode ou deve matar!!!......

Juvenália Cantanhede

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