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segunda-feira, 19 de março de 2012

Quando estou só

Quando estou só
Mais só do que a bebida
Fico a aquecer
Na esplanada esquecida

Quando estou só
Fechado no meu fecho
A pensar no que deixo
Passar-me pela cabeça

 
E dou-me só
Ao que a mente me dá
Não te quero por cá
Mesmo que te apeteça

E se estou só
É porque quero estar
Quieto a arrumar
Os anexos da vida

Mesmo que te apeteça
Conduz-te pela saída.


Quando estou só
Como deixado ali
A ganhar pó
Derretido em Dali

Porque estou só
Espalhado pelo quarto
Mais apagado e farto
Que a luz da cabeceira

Só fico só
E fico muito bem
Sou um, pareço cem
Picando a vida inteira

E estarei só
Quando quiser estar
O bem e o mal-estar
Em quem luta por si

Mas se vens à minha beira
Vou segurar-me a ti.


António Xavier tozexavier@gmail.com

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