Não te conto em veludo
O veludo que escrevo
Assim não digo tudo
Aquilo que não devoNem doce, nem salgado
Apenas um poema
Bem mal amanhado
Sem manha, sem tema
E não é
aveludado
O veludo que escrevo

Não te conto muita coisa
Não são coisas de contarQue cheiro as tuas cores
Nas flores que me dão ar
E tenho-as no jardim
Nos vasos e nos chásE planto-as em mim
Quando há horas más
Não te conto as que
enfim
Não são coisas de contarNão uso partitura
Não consigo afinar
Só anoto sem figura
O mais fácil de contar
Não livro dos segredos
As linhas do meu coser
Do posto dos meus medos
Nunca tas hei de ler
E não tendo
partitura
Não consigo afinar
Folhas moles, linhas duras
Versos a passarLetras, notas e figuras
Música a velejar
Folhas moles, linhas duras
Notas a tocar
Sem letras, notas nem figuras
Queria a ti chegar
Nem letras
nem figuras
Só notas a tocar…
António Xavier tozexavier@gmail.com
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