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segunda-feira, 19 de março de 2012

Para ti

Não te conto em veludo
O veludo que escrevo
Assim não digo tudo
Aquilo que não devo

Nem doce, nem salgado
Apenas um poema
Bem mal amanhado
Sem manha, sem tema

E não é
aveludado
O veludo que escrevo


Não te conto muita coisa
Não são coisas de contar
Que cheiro as tuas cores
Nas flores que me dão ar

E tenho-as no jardim
Nos vasos e nos chás
E planto-as em mim
Quando há horas más

Não te conto as que
enfim
Não são coisas de contar


Não uso partitura
Não consigo afinar
Só anoto sem figura
O mais fácil de contar
Não livro dos segredos
As linhas do meu coser
Do posto dos meus medos
Nunca tas hei de ler

E não tendo
partitura
Não consigo afinar


Folhas moles, linhas duras
Versos a passar
Letras, notas e figuras
Música a velejar



Folhas moles, linhas duras
Notas a tocar
Sem letras, notas nem figuras
Queria a ti chegar
Nem letras
nem figuras
Só notas a tocar…

 
António Xavier tozexavier@gmail.com

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