Abriste a gaveta… As tuas obras inacabadas ainda lá estão e dizem do passado que já não intimida; das coisas e dos outros, de desordens e cedências, de amores e ódios e choros, de avanços e recuos que marcam o suave declive rugoso das horas... E tu estiveste nas tuas palavras como ora estás para as ler ou para as ouvir daquele que as reconheceu em cortinas de emoções ou que quer fazer jus à sua música. Traz ou despreza o disfarce, mas vem ler connosco!
Inscreva-se!
A tabela partilhada para que se compremeta a conviver connosco encontra-se em...
https://docs.google.com/document/d/17b_cU7NF34s6ON9cdRwRfTJPN8C5FPvLLEqOfdmhvPw/edit?authkey=CKD7x4EL&hl=pt_PT&pli=1#
https://docs.google.com/document/d/17b_cU7NF34s6ON9cdRwRfTJPN8C5FPvLLEqOfdmhvPw/edit?authkey=CKD7x4EL&hl=pt_PT&pli=1#
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Chá
Fiz um chá
afinei o sofá
E digo Não à televisão
e ao blá-blá
Já não dá
para me mexer
Pus um standard
a correr
Talvez me aficione
ou me condicione
Ou até
nem sequer funcione
Mas aposto
que o som que escolhi
me define
Anthropology
A febre a arder
teima em não descer
Até dá jeito este enjeito
e o recolher
Vai parecer
que não fui trabalhar
para pôr o meu jazz
a rodar
Talvez me aficione
ou me condicione
Ou até
nem sequer funcione
E àqueles
que pensarem que menti
Aconselho o
Anthropology
Pode não
baixar o ardor
mas... drogas não,
senhor doutor!
O Anthropology
dar-me-á vigor.
António Xavier tozexavier@gmail.com
afinei o sofá
E digo Não à televisão
e ao blá-blá
Já não dá
para me mexer
Pus um standard
a correr
Talvez me aficione
ou me condicione
Ou até
nem sequer funcione
Mas aposto
que o som que escolhi
me define
Anthropology
A febre a arder
teima em não descer
Até dá jeito este enjeito
e o recolher
Vai parecer
que não fui trabalhar
para pôr o meu jazz
a rodar
Talvez me aficione
ou me condicione
Ou até
nem sequer funcione
E àqueles
que pensarem que menti
Aconselho o
Anthropology
Pode não
baixar o ardor
mas... drogas não,
senhor doutor!
O Anthropology
dar-me-á vigor.
António Xavier tozexavier@gmail.com
terça-feira, 20 de março de 2012
Vida
Sabes, amor?!
---

A… A vida. A vida vai…
Deixar de ser… De ser sempre andando.
---
Estou no centro da cidade, amor
Nesta flâmula luzente de chamas
Lutarei cego contra o que nos cegou
Dando a nós o desuso de mim
---
Arde a catacumba metropolitana, amor
Apaziguando a nossa alma em destroços
E nas artérias do nosso subsolo
Impor-se-á a nossa vontade de viver
---
Da sobrecarga de preocupações, amor
Na inércia do despotismo em nós
Solto as correntes para nos socorrer
Pois que sabes que; pois que sabes que…
---
A… A vida. A vida vai…
Deixar de ser… De ser sempre andando.
---
Enquanto os relógios se esbatem no chão
E as moedas e notas se esvaem no ar
São apenas os estados de alma que ouves
Neste desejo que é a sede de sermos nós
---
Da sobrecarga de preocupações, amor
Na inércia do despotismo em nós
Solto as correntes para nos socorrer
Pois que sabes que; pois que sabes que…
---
A… A vida. A vida vai…
Deixar de ser… De ser sempre andando.
---
Ficas a saber, meu amor…
Jorge Freitas Ferreira jorgefreitasferreira@gmail.com
Autor do Amor
Eu sou o autor do amor
Dos sorrisos ou do corpo curvilíneo trabalhado, a rima da solidão. Da actividade cerebral ou das prosas abduzidas com Ctrl+C, a carcaça dura. Bichos acossados: frágeis, quebradiços. O coração gangrenado e em hipotermia sentimental. Solidão. Incompreensão. Vazio. Desistência. Insistência. Perdas. Retomas. Manhãs de regresso.
Eu sou o autor do amor
O preciosismo. Cirurgia de afectos. Veias, articulações e o nervo ciático esmagado a formigar-nos os pés voadores. Pequenas incisões de amor, largos derrames de perda. Rios de sangue-sangue lacrimoso. O esmagador desejo de ter crónica a presença de quem faz falta. Costura com gente que se ama cá dentro. Nas entranhas, no fundo do que não volta a nascer. O vida numa lógica orgânica e descontrolada.
Eu sou o autor do amor
Tenho um pequeno laboratório perto das casas de quem amo, onde componho sentimentos absurdos – uns atrás dos outros! Onde não aceito e complico a química do que é simples. O amor, para quem não sabe e quer saber, é um líquido natural. Transparente. Genuíno. Imprescindível para sobrevivermos. É água que se bebe da torneira.
Eu sou o autor do amor
Se tomasse um cocktail glamoroso de comprimidos antes do jantar, sei que virias em meu auxílio por breves momentos. Se a minha doença fosse maior, talvez prolongada, tu estarias ao meu lado a adormecer-me do destino Por agora, na nossa corrida do dia pelo dia, gritas-me da tua varanda para que termine a minha investigação: “Jorge, por favor, esquece um pouco o amor e trata de ti...”
Jorge Freitas Ferreira (Zorze Zorzinelis) jorgefreitasferreira@gmail.com
segunda-feira, 19 de março de 2012
Quando estou só
Quando estou só
Mais só do que a bebidaFico a aquecer
Na esplanada esquecida
Quando estou só
Fechado no meu fechoA pensar no que deixo
Passar-me pela cabeça

E dou-me só
Ao que a mente me dáNão te quero por cá
Mesmo que te apeteça
E se estou só
É porque quero estarQuieto a arrumar
Os anexos da vida
Mesmo que te apeteça
Conduz-te pela saída.Quando estou só
Como deixado ali
A ganhar pó
Derretido em Dali
Porque estou só
Espalhado pelo quartoMais apagado e farto
Que a luz da cabeceira
Só fico só
E fico muito bemSou um, pareço cem
Picando a vida inteira
E estarei só
Quando quiser estarO bem e o mal-estar
Em quem luta por si
Mas se vens à minha beira
Vou segurar-me a ti.
António Xavier tozexavier@gmail.com
Para ti
Não te conto em veludo
O veludo que escrevo
Assim não digo tudo
Aquilo que não devoNem doce, nem salgado
Apenas um poema
Bem mal amanhado
Sem manha, sem tema
E não é
aveludado
O veludo que escrevo

Não te conto muita coisa
Não são coisas de contarQue cheiro as tuas cores
Nas flores que me dão ar
E tenho-as no jardim
Nos vasos e nos chásE planto-as em mim
Quando há horas más
Não te conto as que
enfim
Não são coisas de contarNão uso partitura
Não consigo afinar
Só anoto sem figura
O mais fácil de contar
Não livro dos segredos
As linhas do meu coser
Do posto dos meus medos
Nunca tas hei de ler
E não tendo
partitura
Não consigo afinar
Folhas moles, linhas duras
Versos a passarLetras, notas e figuras
Música a velejar
Folhas moles, linhas duras
Notas a tocar
Sem letras, notas nem figuras
Queria a ti chegar
Nem letras
nem figuras
Só notas a tocar…
António Xavier tozexavier@gmail.com
Azinheiras gémeas
Maria José Lascas
in Morada da poesia, Castro Verde, CMCV, 2011
[Reservados os direitos de autor.]
domingo, 18 de março de 2012
Bobo da corte
Eu sou o bobo da corte
Riam, palhaços, riam
E não deixem de aplaudir
Quem sabe, a minha loucura
Feita de amor e ternura
Não vos irá destruir?

Eu sou o bobo da corte
Cuja sorte não invejo
Até já perdi o norte
Mas quem sabe se, com sorte
Não encontro o que desejo?
Riam, palhaços, riam
Mas da vossa ingratidão
Quando a festa terminar
Eu trocarei de lugar
Já não serei bobo, não
E num incontido prazer
Mostrarei meu coração
E toda a plateia há de ver
Quem são os bobos, quem são
Conceição Costa
Riam, palhaços, riam
E não deixem de aplaudir
Quem sabe, a minha loucura
Feita de amor e ternura
Não vos irá destruir?
Eu sou o bobo da corte
Cuja sorte não invejo
Até já perdi o norte
Mas quem sabe se, com sorte
Não encontro o que desejo?
Riam, palhaços, riam
Mas da vossa ingratidão
Quando a festa terminar
Eu trocarei de lugar
Já não serei bobo, não
E num incontido prazer
Mostrarei meu coração
E toda a plateia há de ver
Quem são os bobos, quem são
Conceição Costa
Memórias de casamento
Hoje brindo ao meu fracasso
sem taça, prenda ou abraço

Hoje brindo à memória
De uma longa e triste história
Que há muito deixei de ler
Porque alguém rasgou o livro
E a história sem sentido
Acabou por se perder
Abrindo a arca do tempo
Revivo meu desalento
E sem taça, prenda ou abraço
Hoje brindo ao meu fracasso
Conceição Costa
sem taça, prenda ou abraço
De uma longa e triste história
Que há muito deixei de ler
Porque alguém rasgou o livro
E a história sem sentido
Acabou por se perder
Abrindo a arca do tempo
Revivo meu desalento
E sem taça, prenda ou abraço
Hoje brindo ao meu fracasso
Conceição Costa
quinta-feira, 15 de março de 2012
La solitude
Etre seul c’est triste
Quand on est jeune ou vieux, femme ou homme… que c’est triste d’être seul… seule, seul… tout le monde est égaux car la solitude n’a pas de genre.
Pourquoi la vie fait qu’une personne se retrouve seule…

Cela ne devrais pas arriver… séparation, divorce, décès, chômage… pourtant la solitude s’installe malgré soi, malgré notre caractère sociable, malgré l’envie d’être avec les gents… et d’aimer la vie, dans un monde perdu dans l’immensité égoïste….
Que c’est triste la solitude…
Parfois la colère s’installe après tant d’état d’âme,
Le «ras le bol» d’être enfermée sur soi, et d’avoir de mauvaises pensées ne pas pouvoir les partager ; Car la solitude vous fait pensé à tort et à travers pour vous torturé l’âme,
C’est le refus infantile de la solitude.
Que c’est triste d’être seule quand on aime la vie.
Apportant le désespoir à quelqu’un qui n’a plus d’espoir,
Vouloir a tout prix croisé le chemin d’un être qui ne veut plus lui aussi être seul.
Pourtant comme le dit Gilbert Becaud : la solitude n’existe pas,
Pourtant,
L’isolement social existe bien, quand c’est voulu, par exemple : pour l’artiste qui cherche dans la solitude l’inspiration.
Qui n’a pas rêvé un jour de tout lâcher… d’en avoir eu assez de trop de stimuli de cette société, car en excès c’est l’angoisse qui nous guette, nous retrouver avec nous même, si nous choisissons de vivre hors du système social, il faut bien entendu avoir beaucoup de force et résister pour ainsi augmenter notre richesse intérieur, cette fois la solitude est le meilleur remède apportant, une certitude, réapprendre a communiquer avec soi même.
Que c’est triste
La solitude quand elle n’est pas voulue,
Mais tellement importante quand on parvient a l’acceptation,
La solitude ainsi révèle la croissance de l’âme,
Pour finalement prendre conscience de soi.
Alice Alves alice.alvesm@gmail.com
Quand on est jeune ou vieux, femme ou homme… que c’est triste d’être seul… seule, seul… tout le monde est égaux car la solitude n’a pas de genre.
Pourquoi la vie fait qu’une personne se retrouve seule…
Cela ne devrais pas arriver… séparation, divorce, décès, chômage… pourtant la solitude s’installe malgré soi, malgré notre caractère sociable, malgré l’envie d’être avec les gents… et d’aimer la vie, dans un monde perdu dans l’immensité égoïste….
Que c’est triste la solitude…
Parfois la colère s’installe après tant d’état d’âme,
Le «ras le bol» d’être enfermée sur soi, et d’avoir de mauvaises pensées ne pas pouvoir les partager ; Car la solitude vous fait pensé à tort et à travers pour vous torturé l’âme,
C’est le refus infantile de la solitude.
Que c’est triste d’être seule quand on aime la vie.
Apportant le désespoir à quelqu’un qui n’a plus d’espoir,
Vouloir a tout prix croisé le chemin d’un être qui ne veut plus lui aussi être seul.
Pourtant comme le dit Gilbert Becaud : la solitude n’existe pas,
Pourtant,
L’isolement social existe bien, quand c’est voulu, par exemple : pour l’artiste qui cherche dans la solitude l’inspiration.
Qui n’a pas rêvé un jour de tout lâcher… d’en avoir eu assez de trop de stimuli de cette société, car en excès c’est l’angoisse qui nous guette, nous retrouver avec nous même, si nous choisissons de vivre hors du système social, il faut bien entendu avoir beaucoup de force et résister pour ainsi augmenter notre richesse intérieur, cette fois la solitude est le meilleur remède apportant, une certitude, réapprendre a communiquer avec soi même.
Que c’est triste
La solitude quand elle n’est pas voulue,
Mais tellement importante quand on parvient a l’acceptation,
La solitude ainsi révèle la croissance de l’âme,
Pour finalement prendre conscience de soi.
Alice Alves alice.alvesm@gmail.com
Havia uma dor redonda no céu
Quando eu quiser atravesso o rio
Quando eu quiser atravesso o rio
Enlaço-me no seu corpo e navego
Roubo-lhe as pedras e as correntes
E visto-me nele

Hei-de cuspir as feridas nas margens
E as minhas mãos serão futuros
E os olhos searas de maios.
O meu destino não terá mais chegadas.
E nas partidas não soará o vento.
Custódia Santos custodia-santos@hotmail.com
Enlaço-me no seu corpo e navego
Roubo-lhe as pedras e as correntes
E visto-me nele

Hei-de cuspir as feridas nas margens
E as minhas mãos serão futuros
E os olhos searas de maios.
O meu destino não terá mais chegadas.
E nas partidas não soará o vento.
Custódia Santos custodia-santos@hotmail.com
terça-feira, 13 de março de 2012
O rouxinol
O maestro rouxinol
Passa a vida a cantar
Canta à lua canta ao sol
Canta sempre sem parar.
De manhã até à noite
De dia ou ao luar
Faça frio ou calor
Desde a terra até ao mar.

É uma melodia infinita
Que encanta toda a gente
Canta sempre toda a vida
E assobia alegremente.
Como eu gosto de o ouvir
A entoar pelo campo.
É a liberdade a sorrir
Que ser livre também é canto.
Juvenália Cantanhede
Passa a vida a cantar
Canta à lua canta ao sol
Canta sempre sem parar.
De manhã até à noite
De dia ou ao luar
Faça frio ou calor
Desde a terra até ao mar.
É uma melodia infinita
Que encanta toda a gente
Canta sempre toda a vida
E assobia alegremente.
Como eu gosto de o ouvir
A entoar pelo campo.
É a liberdade a sorrir
Que ser livre também é canto.
Juvenália Cantanhede
Às oliveiras
Olá oliveira fazendeira
Que vives paciente
Pelos campos fora
Ao frio ou calor ardente!
Foste plantada por alguém
Que já nem sabes quem é
Pois ao longo dos tempos
Já conheceste tanta gente
E como uma mulher
És forte e resistente!
Se falasses como nós
Muito nos contarias!
Mas ao olhar para ti
Apenas posso imaginar e sonhar
O tanto que me dirias!
O que viste,
Quem conheceste,
O que foi o teu passado!?
Mas que importa se tu nada me dizes?
Apenas posso aproveitar estes momentos de prazer
De te ver e conhecer!....
Quem te deu vida?
Quem te tratou
E algum dia te aconchegou?
Quem por aí passou?
Quem te amou
E algum dia te chegou ao pé?
Diz-me oliveira
Quem foi?
E quem ainda é?
Diz-me o porquê
Que eu já nem sei,
Não compreendo
Como agora já não te amam
Como outrora foste amada
E cuidadosamente cortada,
Para chegares até aqui?...

E por nada
Te deitarem abaixo
Como quem passa uma borracha no passado,
Caído, apagado,
Como se nada importasse.....
Nada contasse....
Nada existisse simplesmente!....
E nada resta de tão nobre imagem
Para mostrar ao futuro quem foste!...
E um dia,
Nem se sabe que exististe,
Que aqui vieste,
Que por aqui passaste,
Como eu, como toda a gente!
Como um povo que suou e lutou
E dele já nada se sabe....
Nada se conta ou fala!.....
Que importa?
Apenas o dinheiro ou ganância
E uma grande ignorância!....
Obrigado oliveira por existires!
Obrigado por não te terem colhido
Antes de eu chegar!
Obrigado por tudo o que me dás,
A mim e ao mundo!
E, quem algum dia te cortar
E da terra te arrancar,
Será cobarde e criminoso
Que eu terei de condenar!
Porque a minha querida oliveira
Ninguém pode ou deve matar!!!......
Juvenália Cantanhede
Que vives paciente
Pelos campos fora
Ao frio ou calor ardente!
Foste plantada por alguém
Que já nem sabes quem é
Pois ao longo dos tempos
Já conheceste tanta gente
E como uma mulher
És forte e resistente!
Se falasses como nós
Muito nos contarias!
Mas ao olhar para ti
Apenas posso imaginar e sonhar
O tanto que me dirias!
O que viste,
Quem conheceste,
O que foi o teu passado!?
Mas que importa se tu nada me dizes?
Apenas posso aproveitar estes momentos de prazer
De te ver e conhecer!....
Quem te deu vida?
Quem te tratou
E algum dia te aconchegou?
Quem por aí passou?
Quem te amou
E algum dia te chegou ao pé?
Diz-me oliveira
Quem foi?
E quem ainda é?
Diz-me o porquê
Que eu já nem sei,
Não compreendo
Como agora já não te amam
Como outrora foste amada
E cuidadosamente cortada,
Para chegares até aqui?...
E por nada
Te deitarem abaixo
Como quem passa uma borracha no passado,
Caído, apagado,
Como se nada importasse.....
Nada contasse....
Nada existisse simplesmente!....
E nada resta de tão nobre imagem
Para mostrar ao futuro quem foste!...
E um dia,
Nem se sabe que exististe,
Que aqui vieste,
Que por aqui passaste,
Como eu, como toda a gente!
Como um povo que suou e lutou
E dele já nada se sabe....
Nada se conta ou fala!.....
Que importa?
Apenas o dinheiro ou ganância
E uma grande ignorância!....
Obrigado oliveira por existires!
Obrigado por não te terem colhido
Antes de eu chegar!
Obrigado por tudo o que me dás,
A mim e ao mundo!
E, quem algum dia te cortar
E da terra te arrancar,
Será cobarde e criminoso
Que eu terei de condenar!
Porque a minha querida oliveira
Ninguém pode ou deve matar!!!......
Juvenália Cantanhede
Prosa
Hoje fui passear pelo campo, colher umas plantas medicinais e mergulhei na natureza, que teima
em sobreviver da mesma forma em certos lugares como se fosse noutros tempos.
Vi um ribeiro por onde corre uma água quase limpa. À volta os salgueiros brancos e negros... a uva
ursina, os freixos, e muitas silvas.
E o cantar dos passarinhos rompia o silencio do campo, escondidos nas árvores, espreitando de
ramo em ramo, por entre um céu azul e um sol alaranjado já de fim de tarde e uma temperatura tão
agradável!
Tudo tão maravilhoso!....
E tão puro!....

Ao longe o castelo e um velho moinho. E também a cidade .
A paz, o sossego ou a agitação.
Estava tudo tão perto e tão longe. Mas sobretudo tão diferente...
Era só escolher....
E neste final de tarde eu escolhi. Fui caminhando pelas veredas e estradas de terra batida que
quase nem pisei o alcatrão ao regressar à minha casa.
Juvenália Cantanhede
em sobreviver da mesma forma em certos lugares como se fosse noutros tempos.
Vi um ribeiro por onde corre uma água quase limpa. À volta os salgueiros brancos e negros... a uva
ursina, os freixos, e muitas silvas.
E o cantar dos passarinhos rompia o silencio do campo, escondidos nas árvores, espreitando de
ramo em ramo, por entre um céu azul e um sol alaranjado já de fim de tarde e uma temperatura tão
agradável!
Tudo tão maravilhoso!....
E tão puro!....
Ao longe o castelo e um velho moinho. E também a cidade .
A paz, o sossego ou a agitação.
Estava tudo tão perto e tão longe. Mas sobretudo tão diferente...
Era só escolher....
E neste final de tarde eu escolhi. Fui caminhando pelas veredas e estradas de terra batida que
quase nem pisei o alcatrão ao regressar à minha casa.
Juvenália Cantanhede
sexta-feira, 2 de março de 2012
...declaração ontológica de IRS... II
...absorção... era a Voz do povo um Grito Poético visceral convertido em compostos menores, hidrossolúveis e absorvíveis. senhores da terra – gritava o Povo em tenor, depois da passagem da substância governamental do local de contacto, pelos órgãos, pela pele e pelos endotélios, para o sangue. - vereis que maravilhas podeis ainda fazer com o meu Dobrado esqueleto. na sala quinhentista, lado a lado com os javalis e os veados nem notarão a diferença seus ilustres convidados. Como me havíeis assim Ajudado a desfrutar das vossas riquezas, e nas restantes gerações quedar-me-ei alegre diante das vossas mesas. – o Povo falava com uma Dor abafada e num timbre vibrante de Silêncio. a Maria engolia e o João fugia e eu não sabia como comer. duas sardinhas em lata incomodam muita gente, diziam. era a Voz do Povo que gritava do Cimo das torres das Aldeias e das janelas altas das Cidades. -nada mais podereis desejar ó senhores dos nossos quintais, comeis na nossa mesa com tal delicadeza e arrotais Fartos, com franqueza. louvai enquanto dura a vossa presença nesta cadeira, onde a meu lado, seu grande javardo, comeis Mais que os demais, enfardais demasiado sem que pingo de Vergonha tenhais para me Roubares ainda mais, meu ilustre convidado. – e o Povo não comia...
...secreção... o Povo deixou de comer e começaram as fezes. foi a inevitável secreção de contas para Pagar e direções direcionadas a tomar que entupiu os estômagos do Povo, e a saliva já não chegava para engolir tudo. veio a fome e arrancaram os olhos do rosto, pois, o bolo alimentar azedou e os outros cagaram-se de medo. havia um certo cheiro atípico no ar, algo apodrecia rapidamente. pouco mais a doar restava na mendicidade do Povo que reclamava apenas pela vida, pela vontade de viver no homem e não na escravidão arredondada de números que consolam os consolados. -senhores, títulos, Palavras, números, podeis sossegar que o tempo parece ainda não ser... ainda a secreção não chega... ainda as palavras não se fizeram ouvir. restando-nos apenas o Grito de Silêncio que move e remove as tripas de Cada Um...
Nuno Cacilhas nunocacilhas@gmail.com
...declaração ontológica de IRS... I
...digestão... era a Voz do povo um Grito poético visceral, grasnidos de Dor abafada pela Luta infértil. às portas dos senhorios da terra, em uníssono, o povo estendia metros de Tripas palpitantes, reservando as extremidades, que se estreitavam numa proporção orgânica e findavam em forma de língua, para presentearem mais tarde tais senhores com belas gravatas. quando a indigestão ocorreu gritaram alto as Palavras: em rejubilo entrego Meus intestinos grossos, do ceco ao recto, para que com eles possais fazer as meias de um natal. entrego-vos também a pele gasta de Trabalhar ao Sol para que, dando-lhe um avesso preciso, possais estufar vossos bancos presidenciais. e espero que não necessiteis de muito mais, mas acaso pela pátria ou por vossas excelências que me governais me sejam pedidos sacrifícios demais, para que sustenteis vossos desejos imperiais, eis-me aqui, sem outra vontade que não esta, com os meus Pés. atenteis que já sem pele os laivos azuis e vermelhos também irão escurecer e talvez feder, mas têm calos pesados e rugosos que darão base firme para um lindo pisa papéis. e se acaso não for do vosso agrado não vos preocupeis, com algum zelo de precisão vossa em anatomia, disponibilizarei ainda o Meu Outro. pois, serrai-os um pouco acima do tornozelo e vede como os dois juntos realizam uma obra de Arte pós modernista quando encimados forem por uma seca flor vermelha, caso tenhais a bondade e a Criatividade...
Nuno Cacilhas nunocacilhas@gmail.com
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