A pedra é a mesma. Densa, dura e impenetrável como o amor não vivido.
Quando um dia ela falar e esvaziar os seus gritos, eu quero estar lá.
Falará de ti e de mim com a mesma inevitável ambiguidade de desencontros encontrados.
Falará da água que corre nas entranhas da fraga.
Falará dos sobreiros mudos e dos pássaros que lhe cantam canções de embalar.
Falará do segredo dos cardos e dos devaneios das papoilas.
Falará dos perfumes que nos lavam as dores.
Falará do tojo amarelo e da abelha a sugar-lhe o sangue.
Falará dos passos na terra a sangrar alegrias e tristezas.
Falará do pó nos nossos olhos.
Falará da lua e da nossa insustentável vaidade.
Falará indignada da urgência de sermos plural.
Regressará depois ao seu antigo lugar.
Custódia Santos custodia-santos@hotmail.com
Abriste a gaveta… As tuas obras inacabadas ainda lá estão e dizem do passado que já não intimida; das coisas e dos outros, de desordens e cedências, de amores e ódios e choros, de avanços e recuos que marcam o suave declive rugoso das horas... E tu estiveste nas tuas palavras como ora estás para as ler ou para as ouvir daquele que as reconheceu em cortinas de emoções ou que quer fazer jus à sua música. Traz ou despreza o disfarce, mas vem ler connosco!
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