Bem sabe a palavra
do que cala
e (se) perde
na recusa de ganhar
a falsa verve
buscando só a utopia
e apenas no risco do falar
o tempo fixa sem lugar
meu norte porfiado em voo tardio
Sem bússola foi, que nesta nave embarquei
buscando o sol, a lua, a estrela da manhã
perdido tantas vezes naveguei
sem astrolábio que não quis me encontrei
e tantas outras me perdi em busca vã
nunca dando por final esta viagem
aproando a terras estranhas me encantei
julgando cais ao que era só miragem
Navego a Norte
Abro a carta sobre a mesa
circulo dois pontos
o lugar onde estou
o lugar aonde vou
traço a rota e o rumo
na escala correcta
calculo a distância
meus braços se estendem
procuro-te os olhos
aspiro o teu cheiro
... e acordo
maldizendo a forma da Terra
as montanhas
o espaço e o tempo
e a luz da manhã
que me roubam o sonho
José Brás jasbras1@sapo.pt
Abriste a gaveta… As tuas obras inacabadas ainda lá estão e dizem do passado que já não intimida; das coisas e dos outros, de desordens e cedências, de amores e ódios e choros, de avanços e recuos que marcam o suave declive rugoso das horas... E tu estiveste nas tuas palavras como ora estás para as ler ou para as ouvir daquele que as reconheceu em cortinas de emoções ou que quer fazer jus à sua música. Traz ou despreza o disfarce, mas vem ler connosco!
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