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terça-feira, 22 de março de 2011

Rola a bola num charco de lama

Rola a bola num charco de lama
E um puto descansa na sua cama,
Tentado por um punhado de esperança.
Bebe em todas as fontes, jarros de fama
E sacode-se da multidão que o aclama
Perante a teimosa e irritada dança.

Rola com fúria o pião bailarino,
Sacudido pelo esticão do menino
Traquina, exibindo-se na sua revolta.
Bebe um jarro de elixir no átrio divino,
Para fortalecer o corpinho franzino
E sentir-se como um cavalo à solta.

Rola o mundo constipado a seus pés
E descansa o mar nas agitadas marés
Tentados pela falta de honestidade.
Bebem um gole de poção mágica ao invés
Da solidão. E transborda de lés a lés
A dureza desta sufocada sociedade.

Rola a sina de quem nasceu desvirtuado.
Possuído pela tristeza e desarmado,
Combatendo contra um exército agressivo.
Mas bebe coragem no rio encantado
Para derrotar de um a um, cada soldado
Que lhe fizer frente. Triste mas possessivo!

Rola a ansiedade na barriga esfomeada
Sentindo de meia em meia hora a badalada
De um relógio mágico prenunciando fome.
Bebe um jarro de culpa desencantada,
Proveniente da injustiça acelerada,
Desta maldita sociedade que o consome.

E rolando nesta confusão mundial
Vive o mundo perdido e saturado!
Caminhando aos trambolhões, sufocado,
Mas cantará um dia o hino universal.


Fernando Reis fernandoreis63@portugalmail.pt

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